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AIMA deixa empresária do Startup Visa e os dois filhos na ilegalidade

Falhas e morosidade nos serviços públicos colocam em risco projetos de inovação e a estabilidade jurídica de famílias estrangeiras no país.

Por 3 min de leitura
Passaportes europeus sobre um mapa
Fotografia: Marta Branco / Pexels

A Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) voltou a ser alvo de críticas após deixar uma empresária titular de um visto para empreendedores e os seus dois filhos menores em situação de ilegalidade em Portugal. O caso, revelado pelo jornal Público, expõe as fragilidades administrativas que continuam a afetar cidadãos estrangeiros altamente qualificados e os seus familiares diretos, mesmo quando cumprem todas as exigências legais para investir e fixar-se no país.

O que aconteceu com o processo de residência

A empresária, que chegou a Portugal no âmbito do programa Startup Visa — iniciativa pública destinada a atrair empreendedores estrangeiros com projetos inovadores —, viu o seu processo de regularização e o dos seus dependentes emperrar nos serviços da AIMA. Devido à morosidade e à falta de emissão tempestiva dos títulos de residência, a família viu-se sem documentos válidos, o que os colocou tecnicamente em situação irregular perante a lei portuguesa.

Essa condição de ilegalidade involuntária traz impactos diretos e imediatos no dia a dia da família, dificultando o acesso a serviços públicos essenciais, a movimentação dentro do espaço europeu e a própria gestão da empresa recém-criada, que depende da estabilidade jurídica dos seus fundadores para captar investimentos e firmar contratos comerciais.

Quem é afetado pelas falhas no Startup Visa

O Startup Visa é gerido em parceria com o IAPMEI (Agência para a Competitividade e Inovação) e visa acolher empreendedores estrangeiros que pretendam desenvolver empresas de base tecnológica e inovadora. No entanto, o descompasso entre a aprovação do projeto empresarial e a emissão dos papéis de residência pela AIMA tem gerado um efeito em cadeia:

  • Empreendedores: Ficam impedidos de assinar contratos em nome próprio, abrir contas bancárias empresariais com facilidade ou viajar a negócios.
  • Filhos menores: Perdem a cobertura automática de proteção associada aos titulares de residência regular, enfrentando barreiras no acesso a direitos básicos de saúde e educação.
  • Ambiente de inovação: A insegurança jurídica afasta novos investimentos estrangeiros e prejudica a imagem de Portugal como destino atrativo para startups.

O que diz a lei e quais são os prazos

De acordo com o enquadramento legal português, os titulares de vistos de residência para investimento ou empreendedorismo têm direito à concessão de autorização de residência após a validação do projeto pelas entidades competentes. Contudo, na prática, a transição entre o visto consular inicial e a emissão do documento físico pela AIMA tem ultrapassado largamente os prazos legais previstos, deixando os requerentes num limbo jurídico.

Especialistas em direito migratório lembram que, embora existam mecanismos legais para contestar a inércia da administração pública — como ações judiciais de cumprimento ou interpelações formais —, o processo é oneroso e consome tempo precioso de quem precisa de trabalhar e viver legalmente.

O que fazer em caso de atrasos na AIMA

Se você enfrenta uma situação semelhante de atraso na emissão ou renovação de títulos de residência em Portugal, recomenda-se adotar medidas preventivas e de cobrança formal:

  1. Registe todas as interações: Guarde comprovativos de agendamento, e-mails enviados à AIMA e protocolos de atendimento.
  2. Consulte um especialista: Busque apoio jurídico especializado em direito dos imigrantes para avaliar a possibilidade de interpor uma ação judicial urgente, caso os prazos legais tenham sido excedidos de forma injustificada.
  3. Acompanhe os canais oficiais: Mantenha-se informado através da plataforma oficial da AIMA para verificar eventuais mudanças nos procedimentos de atendimento.

Para mais dicas e orientações sobre processos migratórios, consulte também a nossa seção de Radar.

Fontes

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