Duas séries estatísticas publicadas este ano permitem pôr Portugal e Espanha lado a lado. Não contam a mesma história.
Portugal: o travão
A população residente em Portugal chegou a 11 424 031 pessoas no final de 2025, segundo o Instituto Nacional de Estatística. Destas, 1 597 539 são estrangeiras — 14% do total.
O dado que muda a leitura do último lustro é o do crescimento. Em 2025 a população estrangeira aumentou 59 113 pessoas, um abrandamento acentuado. Entre 2021 e 2025, essa mesma população mais do que duplicou, num acréscimo de 849 384 pessoas. O período de expansão acelerada terminou.
Por nacionalidade, o Brasil continua largamente à frente, com 574 195 residentes — 35,9% de todos os estrangeiros. Seguem-se Angola, com 103 140 (6,5%), e a Índia, com 93 683 (5,9%). Na distribuição pelo território, a Grande Lisboa concentra 546 419 residentes estrangeiros, 34,2% do total, e o Norte 311 095, 19,5%.
Espanha: o ritmo mantém-se
A 1 de julho de 2026, Espanha tinha 49 801 559 habitantes, dos quais 7 437 543 de nacionalidade estrangeira. No segundo trimestre do ano, a população estrangeira cresceu 87 197 pessoas; no acumulado de doze meses, 444 205.
As principais nacionalidades de entrada no trimestre foram a colombiana (34 000), a venezuelana (23 300) e a marroquina (21 100). O crescimento estendeu-se a todas as comunidades autónomas, com a Comunidade Valenciana (0,43%), as Baleares (0,36%) e as Astúrias (0,29%) à cabeça.
O que os dois números dizem juntos
Portugal chegou a uma proporção de residentes estrangeiros que o aproxima da média da Europa Ocidental, e fê-lo em cinco anos. Espanha, com uma proporção semelhante em termos relativos, continua a crescer a um ritmo constante. A diferença está no que se segue: em Portugal, o abrandamento coincide com o endurecimento simultâneo da Lei dos Estrangeiros e da Lei da Nacionalidade; em Espanha, com uma regularização extraordinária que trouxe mais de um milhão de pessoas ao sistema formal.



